12 DE JUNHO DE 1994: BRASIL CAMPEÃO MUNDIAL FEMININO

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12 de junho de 1994, um domingo. Há exatos 23 anos o basquetebol brasileiro conquistava o seu terceiro Mundial, o primeiro feminino. A 12ª edição do Campeonato Mundial Adulto Feminino, na longínqua Austrália, de 02 a 12 de junho, teve uma final entre o Brasil e a temida China, da gigante Zheng Haixia (2m04 e 115kg). E, com atuação destacada de todo o grupo, em especial das jogadoras Hortência Marcari, Paula Gonçalves, Janeth Arcain e Leila Sobral, o conjunto brasileiro superou todas as dificuldades, vencendo e convencendo: 96 a 87 (51 a 42 no primeiro tempo), no Sydney Entertainment Centre.

“Uma conquista extremamente importante, que está marcada positivamente para sempre na memória de todos os amantes do basquete, coroando uma geração formada por jogadoras notáveis. Tenho certeza que os dias de glória do nosso basquete feminino estarão de volta em pouquíssimo tempo e esse título Mundial funcionará como incentivo ainda maior para as nossas futuras gerações”, afirma Guy Peixoto Jr, presidente da Confederação Brasileira de Basketball (CBB), salientando que o feminino terá o mesmo tratamento do masculino durante sua gestão.

O time verde e amarelo era formado por jogadoras de extrema qualidade, com um elenco forte e unido:

04. Hortência de Fátima Marcari (221 pontos, em oito jogos)
05. Helen Cristina Santos Luz (11 pontos, em seus jogos)
06. Adriana Aparecida dos Santos (um jogo)
07. Leila de Souza Sobral (64 pontos, em oito jogos)
08. Maria Paula Gonçalves da Silva (158 pontos, em oito jogos)
09. Janeth dos Santos Arcain (186 pontos, em oito jogos)
10. Roseli do Carmo Gustavo (oito pontos, em sete jogos)
11. Simone Pontello (dez pontos, em quatro jogos)
12. Ruth Roberta de Souza (52 pontos, em oito jogos)
13. Alessandra Santos de Oliveira (51 pontos, em oito jogos)
14. Cíntia Silva dos Santos (23 pontos, em oito jogos)
15. Dalila Bulcão Mello (02 pontos, em um jogo)

A comissão técnica era formada por Miguel Ângelo da Luz (técnico), Sérgio Maroneze Duarte (assistente técnico), Hermes Balbino (preparador físico), Marli Kecorius (médica), Marisa Lebeis (fisioterapeuta), José Pedro Felício (massagista), Waldir Pagan Perez (supervisor), Raimundo Nonato (chefe da delegação) e Sérgio Barros (assessor de imprensa).
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CAMPANHA
Na primeira fase do 12º Campeonato Mundial Adulto Feminino, o Brasil fez uma campanha dentro do planejado pela comissão técnica, avançando com a segunda colocação do Grupo C, disputado no Silverdome, em Launceston: vitória tranquila na estreia sobre Taiwan (112 a 83), no dia 02 de junho (quinta-feira); derrota para Eslováquia (88 a 99), no dia seguinte (03 de junho – sexta-feira); e reabilitação diante da Polônia (87 a 77), em 04 de junho (sábado).

Com estes resultados, o time comandado por Miguel Ângelo da Luz se garantiu na segunda fase, em Sidney, quando novamente conseguiu êxito, seguindo com o planejamento elaborado: abriu a etapa vencendo a velha rival Cuba (111 a 91), no dia 07 de junho (terça-feira); depois veio uma derrota para a China (97 a 90), em 08 de junho (quarta-feira); e a recuperação diante da forte Espanha (92 a 87), no dia 09 de junho (quinta-feira).

A semifinal contra os Estados Unidos, no dia 11 de junho (sábado), no Sydney Entertainment Centre, foi um jogo que nem o mais frio dos seres humanos conseguiu assistir sossegado e sentado. A vitória por 110 a 107 demonstrou que o lugar mais alto do pódio estava se tornando realidade, deixando de ser um sonho distante. E o sonho virou mesmo realidade dois dias depois, no mesmo local, já que o time de Hortência, Paula, Janeth, Leila, Alessandra e Cia. não deu chance à China, da gigante Zheng Haixia (eleita à jogadora mais valiosa do campeonato), e a vitória por 96 a 87 na decisão consagrou uma geração inesquecível.

Entre as cinco maiores pontuadores da competição, o Brasil emplacou três atletas: 1ª) Hortência Marcari (27.6 pontos por jogo), 3ª) Janeth Arcain (23.3 pontos por jogo) e 5ª) Paula Gonçalves (19.8 pontos por jogo). E ‘Magic’ Paula ficou ainda na terceira colocação na estatística das assistências, com média de 4.4 por partida.

A classificação final do Mundial ficou assim: 1º- Brasil, 2º- China, 3º- Estados Unidos, 4º- Austrália, 5º- Eslováquia, 6º- Cuba, 7º- Canadá, 8º- Espanha, 9º- França, 10º- Coréia do Sul, 11º- Itália, 12º- Japão, 13º- Polônia, 13º- Polônia, 14º- Taipei, 15º- Nova Zelândia e 16º- Quênia.

OPINIÕES

“Foi um momento mágico, não só do basquetebol, mas do esporte brasileiro também. Houve comprometimento tanto da comissão técnica quanto das atletas. O resultado foi fruto de um trabalho com muita transparência e seriedade. Essa conquista jamais será esquecida por mim”, Miguel Ângelo da Luz

“12 de junho, um dia em que passou e poderá passar anos e anos, mas aqueles momentos de união, superação, companheirismo, dor, euforia e, no final, alegria, nunca sairão da minha mente. Eu, com apenas 23 anos, vivendo um marco histórico para o basquete do nosso país; e tenho muito orgulho disso. Sempre digo que poderei ser ex-jogadora, ex-atleta, ex-técnica, mas ex-campeã mundial, jamais (risos). Parabéns a todo nosso grupo. Juntas superamos o insuperável e mostramos ao mundo a força do basquete brasileiro”, Adriana Santos

“Essa conquista, se eu for resumir em palavras, não seria suficiente para descrever, pois foi um momento tão mágico do basquete feminino, que agradeço a Deus todos os dias por ter participado desta conquista única. Fazer parte daquela história, ao lado das atletas e comissão técnica, de toda a preparação, que foi muito importante, e quando você consegue subir ao pódio, na frente dos Estados Unidos, China e da anfitriã Austrália, ou seja, o campeonato fica abaixo da sua equipe, você percebe a grandeza da competição e a importância que tem este título. Realmente, foi uma das conquistas mais marcantes da minha carreira e, sem dúvida, a mais importante; e agora eu tenho a dimensão do que é ser campeã mundial, mas na época, como atleta, existia uma cobrança pessoal grande e passou como uma coisa natural e normal, mas é para poucos. Parece que foi ontem. Todas as vezes que venho às imagens ou relembro através de fotos, vem tudo na minha cabeça, tudo o que passamos, enfim, uma felicidade que não se pode exprimir por palavras, só quem viveu aquele momento, sabe do que estou falando”, Helen Luz

“O Mundial na Austrália foi e sempre será muito especial, um país lindo, que nos recebeu muito bem, mas chegamos ao campeonato como mais uma seleção e a cada jogo fomos mostrando que estávamos ali para fazer a diferença e deixar nosso nome na história. Chegamos desacreditas e por ser de madrugada, quando a Band, do saudoso Luciano do Vale, resolveu transmitir os nossos jogos, no início apenas os amigos e os familiares acordavam para assistir. Depois, com os resultados e a narração marcante e empolgante do Luciano, despertamos um país que começou acordar para ver. Foi maravilhoso e espetacular; a única coisa que nos ofuscou foi o futebol também ter sido campeão Mundial em 1994. Foram quatro meses de treino em São Roque (SP), com folgas apenas no sábado á tarde e no domingo; amistosos em lugares e países diferentes, ou seja, tivemos que pintar o tênis; conhecemos o bichinho da Tasmânia; enfim, foram tantas histórias, muitas risadas e o principal: fomos campeãs do mundo. A década de 90 entrou para história do basquete feminino brasileiro, como a década de ouro. Sou feliz e realizada por ter tido a oportunidade de fazer parte dessa geração e de ter jogado com Paula, Hortência, Janeth e outras, mesmo sendo mais nova, consegui atuar ao lado delas e essa mistura fez com que a Seleção conquistasse esse e outros títulos”, Roseli Gustavo
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